Vamos a uma reflexão? Desde a maternidade, como pais, nos damos conta de como trazemos arraigados discursos falidos. Vamos desconstruindo e reconstruindo formas limitadas de compreender o mundo. Um exemplo claro é quando uma mãe ou um pai se sentem afrontados pela criança que não faz as coisas exatamente como desejavam. É comum que, em algum momento, esse pai ou essa mãe diga à criança: “Que menino malcriado!”.

Meu filho é malcriado

Então, quem malcria? Já pararam para pensar como a frase “Meu filho é malcriado” tem a potencia de uma bomba demolidora na autoestima da criança, ao mesmo tempo em que revela um autojulgamento dos próprios pais sobre sua forma de educar.

Se digo a meu próprio filho que ele é malcriado, estou colocando-lhe uma etiqueta que mina sua autoestima. Ele compreende que é incapaz de fazer o que se lhe pede com correnteza. Pode se sentir como uma criança incapaz de viver em sociedade porque não sabe se comportar.

A crença de que o filho é malcriado nada mais é do que nossa própria incapacidade de compreender que esse menino apenas está sinalizando uma inconformidade com o que se lhe exige.

Queremos da criança uma obediência cega. E quando isso não se da, quando frustra nossas próprias expectativas, jogamos a culpa para ela. É ela o sujeito incapaz de compreender, literalmente, e executar com precisão o que desejamos. Não, meus caros, ela é apenas um sujeito em formação, com desejos próprios e em constante aprendizado.

Quem malcria?

Se digo a meu filho que ele é malcriado, logo concluo que eu o malcrio. De fato eu o malcrio? Já se fez essa pergunta? Na tentativa de culpar a criança por sua incapacidade de obedecer, sem nos darmos conta, jogamos sobre nós mesmos a carga de não ser o suficiente bons para criar uma criança que obedeça as nossas ordens cegamente.

Que somos péssimos pais todos sabemos. Certamente, somos melhores pais quando não temos filhos. Tínhamos a tabuada da educação na ponta da língua. Criar um filho não é tão fácil e nossas fórmulas infalíveis caem por terra. E sabe por quê? Simplesmente porque demos vida a um ser, não a um robô.

Não malcriamos a criança porque não cumpra com nossas expectativas. Devemos olhar para ela com amabilidade e buscar compreender porque, naquele momento, ela não correspondeu ao que lhe foi pedido.

Apenas para exemplificar. No parquinho, seu filho tira o brinquedo de outra criança sem pedir. Você já está cansada de dizer-lhe que, se quiser algo que não é seu, deve pedir por favor. Por que ela insiste em continuar tirando o brinquedo de maneira brusca? Simplesmente porque ainda não tem bem integrada essa regra social. Muitas vezes é preciso repetir 500 vezes a mesma coisa para que ela entenda.

Então, no lugar de gritar, etiquetar, ofender a criança, minando sua autoestima, olhe para ela como um ser em constante aprendizado. Com amabilidade, pratique a comunicação ativa. Coloque-se a seu nível, explique-lhe novamente que não se deve tirar o brinquedo da outra criança sem pedir e sem que ela o permita. Peça-lhe que devolva o que tirou. Se insistir em não devolver, dê-lhe o tempo para que se desprenda do objeto. Não conseguindo, explique-lhe que entende que gostaria muito de ter o brinquedo, mas é do outro amigo que está chorando. Então, mesmo que fique triste, terá que tirar de sua mãozinha para devolvê-lo.

Chorou, esperneou, se contorceu porque teve que devolver o brinquedo, de livre e espontânea vontade ou não, apenas o abrace e converse. Exemplifique contando-lhe que você também se sente triste quando pede algo a alguém e esse não lhe empresta. Mas que você entende que para o outro é algo importante. Então, mesmo triste, respeita.

Essa é uma boa maneira respeitosa de solucionar o problema!


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