Como é difícil colocar limites nos nossos filhos. Talvez porque nos custe tanto entender que os limites devem educar, não limitar. Como pais, temos a constante dúvida de quando e como colocar os limites nas crianças. Vivemos a incrível contradição entre querer que entendam regras básicas e as pratiquem adequadamente, ao mesmo tempo em que não queremos que se frustrem e isso lhes cause problemas de autoestima. 

Vamos a um exemplo claro. A criança que bate muito e não se controla nos momentos de raiva, atacando os amiguinhos com arranhões, mordidas ou tapas. Seus pais, ainda que tentem manter a calma nos momentos de tensão, chega um momento em que, vendo que não obtêm os resultados esperados, começam a se culpar. Sentem-se incapazes de colocar limites em seus próprios filhos. É comum que acabem por gritar e castigar a criança como recursos para conseguir freiar seus impulsos. 

Vejamos bem. Uma criança impulsiva não deixará de bater porque seu pai grita ou a coloca de castigo. A impulsividade faz parte de seu caráter e deve ser trabalhada para que aprenda a controlar. Os gritos, castigos e palmadas, apenas contribuirão para que ela desenvolva problemas de autoestima. Ela se sentirá incapaz de se relacionar com os demais, incapaz de se controlar por si só, incapaz de fazer as coisas bem. 

Então, o que fazer?

Os limites devem educar, não limitar

Como pais devemos ter claro que os limites são úteis e necessários para que a criança possa encontrar um convívio harmônico com os demais sujeitos que fazem parte de seus ambientes sociais. Para isso, devem servir para educar não para limitar. O que queremos afirmar com isso? 

A coerência é fundamental para que a criança entenda o limite posto. Não pode ser que hoje você determine que não pode ver televisão e amanhã a deixa ver três horas de desenho. Não pode ser que hoje seu filho não pode jogar videogame porque tem que estudar e, amanhã, enquanto você precisa daquele tempinho para colocar a comida no fogão, permite-lhe jogar por 1 hora, mesmo estando em dia de escola. Enfim, os exemplos são múltiplos. 

Quando você decide por limitar o tempo da televisão em casa, esse limite deve ser cumprido por todos da casa. Não pode ser que o adulto é que defina quando o limite deva ser cumprido segundo lhe venha bem ou não. Ah, e se é o caso da criança que morde ou bate, pode estabelecer limites claros para que ela deixe de fazê-lo, mas cumpra-o. De nada adianta que você estabeleça a regra previamente (“No parquinho não pode bater no amiguinho porque, assim, você o machuca. Não posso permitir que você machuque um amiguinho. Caso passe algo do qual não goste, melhor falar com a mamãe. Não bata na outra criança. Ao fazê-lo, teremos que voltar para casa no mesmo momento”). Ok explicar-lhe tudo isso, deixando clara qual será a consequência de sua ação. Mas é preciso cumprir. Não ficar na ameaça: “Quer ir pra casa?”, “Levo você pra casa agora”, “Se bater mais uma vez, vamos para casa”. Cumpra com o limite estabelecido: (“Sei que ficará triste e com raiva, mas havia sido clara. Não posso deixar que machuque um amigo. Por isso, vamos para casa agora”). 

Enfim, ter coerência e paciência é o mais importante na hora de estabelecer os limites. Acolher a criança ferida e demonstrar empatia são passos importantes para conseguir que os limites sejam respeitados, que eduquem e não que limitem.

Disciplina Positiva

Através da Disciplina Positiva aprendemos a centrar-nos em potenciar habilidades em nossos filhos para que possam ser capazes de solucionar problemas por eles mesmos. Também reconhecemos que castigos físicos e psicológicos não são recursos que favoreçam a criar crianças com autonomia, responsáveis e independentes. Saiba mais:


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